'A vida não vingou no planeta através do combate,
mas através da parceria, do compartilhamento e do
trabalho em rede.'1.
Redes de relações são inerentes às atividades humanas. Se pensarmos no nosso cotidiano, com o foco nas relações que sustentam nossas rotinas, veremos emergir conjuntos de redes. Pense na teia de relações que você tece na sua vida escolar: professores, colegas, o cara do ônibus ou metrô, o vendedor de passes, a servente da escola etc. Pense na rede de relações que você estabelece para abastecer a casa, comprar vestimentas, na sua vida profissional. Sua rede de afetos: as pessoas que você ama. Perceba como todas as suas atividades dão origem a redes de relações. São redes espontâneas, que derivam da sociabilidade humana. Estão aí o tempo inteiro, apenas não costumamos focar nosso olhar sobre elas, vendo-as como um sistema vivo e dinâmico, mas são elas que dão sustentação às novas vidas e a produzem diariamente.
O que diferencia as redes sociais das redes espontâneas é a intencionalidade nos relacionamentos, os objetivos comuns conscientes, explicitados, compartilhados. Apesar dessas características especiais, a forma de operar das redes sociais e das espontâneas traduz princípios semelhantes aos que regem os sistemas vivos. Assim, um passo importante para entender as dinâmicas próprias do trabalho em rede é conhecer os sistemas vivos, entender como a vida se sustenta e se autoproduz. Uma diferença essencial entre os dois sistemas de rede é que os fluxos e ciclos das redes sociais estão permeados e são canais de circulação de informação, conhecimento e valores (sistemas simbólicos). No quadro abaixo procurei fazer uma analogia entre os dois sistemas, tendo como eixo comum a sustentabilidade.
| Sistemas Vivos |
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| Organização em padrão de rede |
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foco nas relações |
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| Interdependência |
| dependência mútua |
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| Natureza cíclica dos processos |
| reciclagem permanente de energia e materiais |
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| Flexibilidade e diversidade |
| estabilidade e mudança, ordem e liberdade, tradição e inovação |
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| Cooperação e co-evolução |
| parceria e evolução conjunta |
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| Complexidade |
| organização articulada em múltiplos níveis |
| Sustentabilidade |
| Redes sociais |
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| foco nas relações, capacidade de realizar conexões, compartilhamento, foco nos processos, tensão entre estruturas verticais e processo horizontais |
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| dependência mútua, ações articuladas, objetivos e estratégias de ação compartilhadas, acordos de convivência, relações laterais |
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| sistemas simbólicos, fluxo permanente de informação, comunicação todos todos, presencial & virtual |
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| diversas configurações, expansão permanente, potencialidades diferenciadas de fazer conexões, reprodução permanente do padrão de organização, convivência de opostos complementares, harmonia conflitual, tensão entre competição e cooperação |
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| diferentes articulados em relações de compartilhamento, cooperação e competição |
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As redes sociais emergem nos últimos anos como um padrão organizacional capaz de expressar, em seu arranjo de relações, as idéias políticas e econômicas inovadoras, nascidas do desejo de resolver problemas atuais. Representam um grau de complexidade política de uma determinada comunidade ou grupo e não podem (não deveriam) ser criadas artificialmente, pois emergem de processos culturais e políticos. Manifestam um desejo coletivo em inovar na forma de organização política, numa desorganização consciente e intencional de estruturas que não mais correspondem às demandas e aspirações do grupo. E revela a existência de problemas que não conseguem ser resolvidos com as antigas estruturas e formas de gestão.
| Pensamento |
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| Auto-afirmativo |
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Integrativo |
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| Racional |
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Intuitivo |
| Analítico |
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Síntese |
| Reducionista |
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Holístico |
| Linear |
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Não-linear |
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| Valores |
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| Auto-afirmativo |
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Integrativo |
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| Expansão |
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Conservação |
| Competição |
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Cooperação |
| Quantidade |
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Qualidade |
| Dominação |
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Parceria |
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Sendo assim, as redes sociais, em suas diferentes configurações locais, indicam uma nova forma de organizar e vivenciar espaços de poder, em que a horizontalidade das relações resulta de alguns princípios, que devem estar expressos na gestão e nas relações: descentralização; insubordinação; conectividade; multi-liderança; autonomia, transparência, cooperação, interdependência.
Cada rede tem uma configuração particular: Depende do ambiente onde se forma e atua, da cultura política dos membros e em especial da cultura política dos facilitadores, dos objetivos compartilhados. Muitas redes nascem e se nutrem por meio de listas de discussão na internet, outras acontecem onde as pessoas não têm acesso à web e utilizam outras estratégias de comunicação. O importante é não procurarmos um modelo para definir o que é rede, pois as configurações e dinâmicas são variadíssimas. O que há em comum são os princípios sistêmicos do padrão organizacional em rede, por isso é essencial entender o padrão e seus princípios.
Apesar das diferenças de configuração, podemos identificar nas redes as seguintes características: objetivos compartilhados, construídos coletivamente; múltiplos níveis de organização e ação; dinamismo e intencionalidade dos envolvidos; coexistência de diferentes; produção, reedição e circulação de informação; empoderamento dos participantes; desconcentração do poder; multi-iniciativas; tensão entre estruturas verticais & processos horizontais; tensão entre comportamentos de competição & cooperação & compartilhamento; composição multi-setorial; formação permanente; ambiente fértil para parcerias, oportunidade para relações multilaterais; evolução coletiva & individual para a complexidade; configuração dinâmica e mutante.
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