Para o monitoramento de redes é necessário definir alguém ou um grupo que acompanhe a dinâmica da rede. Existem ferramentas apropriadas que mensuram de forma objetiva os movimentos dos participantes. Mesmo assim, é importante o diagnóstico humano, sensível às subjetividades.
É necessário notar que os participantes possuem valores e objetivos comuns, porém, dinâmicas diferenciadas de trabalho. O todo e os pontos da rede devem ser igualmente e paralelamente considerados. A complexidade organizacional de redes configura um aparente paradoxo: o todo é maior que as partes e as partes são maiores que o todo. Mas, esse paradoxo se desfaz na prática do trabalho em rede, residindo apenas no plano filosófico: as redes só existem quando suas células estão interagindo exponencialmente, em dinâmicas e lógicas não lineares. É o movimento entrecruzado e plural dos pontos que constitui e legitima a rede. Desse modo, existem indicadores para mensurar a rede em sua totalidade integradora e no âmbito de suas células. Uma avaliação deve considerar a lógica orgânica das redes: a um só tempo o todo e as partes.
Consolidar a Rede significa avançar em produção, disponibilização de informações e ampliação do espectro de atores e beneficiários reunidos através da iniciativa, para que os conhecimentos produzidos e apropriados possam ir além dos contornos institucionais já estabelecidos. A Rede ganha expressão e legitimidade na medida em que suscita o interesse dos integrantes originais e de novos atores em participar e contribuir para o seu desenvolvimento.
Haveria muitas formas de se avaliar as redes porque as avaliações sempre precisam conhecer a realidade pesquisada. No entanto, existem alguns indicadores básicos para o monitoramento de redes, conforme exemplificamos abaixo. Além disso, as informações apresentadas nos itens Fundamentos & Paradigmas e Planejamento dessa seção do site Rits podem ajudar a sua avaliação. Uma forma mais básica porém eficaz de avaliar a nós mesmos ou os nossos projetos é o chamado check list: conferência de resultados a partir de rubricas planejadas.
Participação: indica a consolidação do ambiente de rede - o reconhecimento, a utilidade e a legitimidade da rede, levando em conta as interações e a colaboração entre os atores.
Geração e troca de conteúdos: indica a intensidade da produção e da troca de informações e conhecimentos.
Interatividade e conectividade: indica se os fluxos de informação convergem para o todo e/ou suas ramificações de acordo com a intencionalidade da rede e os interesses dos integrantes.
Adesão - ampliação da rede (novos atores)
Para se chegar aos indicadores, devemos fazer perguntas, que são variáveis de acordo com a realidade estudada, mas que podem se estruturar seguindo a linha dos exemplos abaixo:
Quais são os objetivos da rede?
Que valores fundamentam a articulação?
Quando surgiu e como vem se desenvolvendo?
Como trabalha? Com que recursos? (exemplo: se organiza em Grupos de Trabalho, etc)
Como os diversos pontos se comunicam e com que periodicidade? (exemplo: utilizam tecnologias de comunicação e informação, realizam encontros periódicos, etc)
Existem pactos de convivência/padrões de relacionamento entre seus membros?
Os interesses, compromissos, atitudes e motivações visam o coletivo e a causa?