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Recursos humanos - Noções gerais

Desenvolvendo competências gerenciais

Liliane G. da Costa Reis

Introdução

O desempenho das organizações está, mais do que nunca, em pauta. A capacidade de posicionar-se corretamente perante os desafios de um ambiente em contínua transformação exige revisões constantes de metas e estratégias em todas as áreas das organizações. Como forma de atuar diante destes novos cenários, muito se tem dito acerca do papel que as pessoas desempenham nas organizações, reconhecendo-se que são elas que fazem a diferença nos momentos cruciais de mudança.

Neste sentido, é cada vez mais claro que o sucesso de planos e estratégias depende de pessoas comprometidas com a missão e os objetivos das organizações, assim como do desenvolvimento de uma série de competências para que as pessoas estejam à altura de assumir desafios. Isto faz com que uma das prioridades de uma política de recursos humanos seja definir as áreas de desenvolvimento para seus membros, como forma de potencializar a capacidade de ação e proposição das organizações do terceiro setor.

Sendo assim, o desenvolvimento de competências gerenciais se alinha ao objetivo mais amplo de tornar as organizações do terceiro setor melhor preparadas para enfrentar os desafios atuais e futuros. Em termos genéricos, poderíamos dizer que toda organização necessita de quadros com as seguintes competências gerenciais básicas: liderança ; persuasão; trabalho em equipe ; criatividade; tomada de decisão; planejamento e organização; e determinação. A estas, cada organização pode acrescentar aquelas que considera críticas para o alcance de seus resultados específicos. O importante é que as competências gerenciais expressem o espírito da organização e a ajudem a alcançar maiores e melhores resultados.

A seguir, a título de roteiro inicial, descrevemos cada uma delas, sugerindo indicadores positivos e negativos. A partir de seu próprio conjunto de competências gerenciais e indicadores, será possível que cada organização decida como desenvolvê-las e, futuramente, utilizá-las na avaliação de desempenho de seus membros.

 

LIDERANÇA

Definição

  • Transmite uma visão clara para o crescimento da organização;
  • motiva os subordinados a atingir excelentes resultados;
  • desenvolve uma equipe forte para alcançar o potencial da unidade ou da organização.

Indicadores positivos

  • Aloca tarefas com clareza para os subordinados atingirem os objetivos;
  • inspira e cria condições para que os subordinados tenham atuação exemplar;
  • reforça e reconhece os esforços de seus subordinados;
  • oferece orientação para o crescimento da organização;
  • busca o envolvimento da equipe para, em conjunto, aumentar os resultados da unidade ou da organização;
  • tem visão do potencial e desafia a equipe a realizá-lo;
  • é capaz de reconhecer e exigir de cada um o que tem de melhor;
  • dedica-se ao desenvolvimento e aperfeiçoamento dos subordinados;
  • transmite bem a missão e objetivos da organização a seus subordinados;
  • enfatiza o acerto e não o erro;
  • faz as coisas acontecerem.

Indicadores negativos

  • É paternalista e protetor com os subordinados;
  • não motiva nem reconhece os esforços dos subordinados;
  • contribui pouco na elaboração da direção da organização;
  • não cria ambiente de participação e de equipe;
  • não exige muito dos subordinados;
  • tem dificuldade em manter objetividade profissional e em direcionar e motivar pessoas;
  • pratica favoritismo, sendo inconsistente no desenvolvimento dos subordinados;
  • não enfoca desenvolvimento como um objetivo-chave.

PERSUASÃO

Definição

  • Eficaz na comunicação dos pontos de vista e na apresentação de seus argumentos;
  • negocia com habilidade para conseguir os melhores resultados para a organização;
  • tem presença e credibilidade dentro e fora da organização.

Indicadores positivos

  • Exerce influência na apresentação de argumentos;
  • é eficaz nas negociações;
  • consegue apoio a suas idéias, através do envolvimento de outras pessoas;
  • é capaz de defender suas idéias, sem humilhar aqueles que se opõem a elas;
  • obtém a colaboração das outras funções, para assegurar o sucesso dos objetivos que propõe;
  • é claro e preciso na apresentação de idéias e pontos-de-vista;
  • é visto como pessoa que tem presença e credibilidade;
  • representa bem a organização junto a parceiros e outros públicos da organização.

Indicadores negativos

  • Comunica-se formalmente e sem naturalidade;
  • não é claro e preciso na apresentação das idéias;
  • sua comunicação não enfatiza prioridades críticas;
  • não defende bem seu ponto de vista (torna-se agressivo e não muda de posição ou se rende ao enfrentar desacordo);
  • Não sabe ouvir.

TRABALHO EM EQUIPE

Definição

  • Integra-se bem na equipe;
  • coopera na divisão de recursos;
  • participa do intercâmbio de idéias para melhorar o desempenho da equipe.

Indicadores positivos

  • É bem aceito pelo grupo;
  • trabalha bem com o grupo, coopera na divisão de idéias e recursos;
  • direciona as atividades da equipe;
  • estimula a participação.

Indicadores negativos

  • É isolado da equipe;
  • prefere trabalhar sozinho;
  • não se envolve com as atividades do grupo.

CRIATIVIDADE

Definição

  • É aberto a novas idéias;
  • produz soluções inovadoras para os problemas da organização;
  • é um agente de mudança.

Indicadores positivos

  • Produz idéias não convencionais;
  • está preparado para discutir posições radicais;
  • está disposto a tentar novas soluções;
  • encontra soluções novas para problemas comuns;
  • cria condições para que os outros explorem novas idéias;
  • age como pioneiro (novos sistemas, serviços), na busca de resultados para a organização;
  • pensa lateralmente quando enfrenta problemas.

Indicadores negativos

  • Fixa-se em caminhos convencionais;
  • reage negativamente a novas idéias;
  • necessita que a nova abordagem lhe seja comunicada;
  • é resistente a mudanças;
  • tem a mente fechada para abordagens radicais;
  • desencoraja os outros a explorarem caminhos não convencionais;
  • reluta em abandonar "velhas" abordagens.

TOMADA DE DECISÃO

Definição

  • Adota enfoque analítico frente às situações complexas;
  • capaz de avaliar alternativas criticamente, levando em conta a organização como um todo;
  • está apto a assumir a responsabilidade por suas decisões;
  • oferece recomendações sólidas.

Indicadores positivos

  • Toma decisões baseado em bom conhecimento da área/função;
  • capaz de tomar decisões sob pressão (pouco tempo, variáveis desconhecidas, risco);
  • adota enfoque analítico para problemas complexos;
  • capaz de analisar informações e compreender as implicações para a organização (por exemplo, financeiras);
  • aproveita oportunidades no momento certo para tomar decisões;
  • trabalha bem com conceitos, trabalhando em "áreas cinzentas" de situações complexas;
  • utiliza a intuição, além do julgamento racional.

Indicadores negativos

  • Prefere passar a responsabilidade para outros tomarem as decisões (colegas, superiores);
  • cauteloso em excesso, tornando-se lento para fazer recomendações;
  • é avesso ao risco;
  • tende a se basear no passado, na experiência, sem utilizar o pensamento conceitual para resolver problemas e tirar conclusões;
  • trabalha a partir dos sintomas, ao invés de focalizar a causa dos problemas;
  • vê as coisas somente em "preto e branco".

PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO

Definição

  • Amplo conhecimento da organização como um todo;
  • elabora estratégias para atingir objetivos de curto, médio e longo prazo;
  • eficaz na execução de estratégias;
  • organizado na coordenação de recursos para atingir os objetivos da organização.

Indicadores positivos

  • Possui larga visão sobre a organização e seu ambiente;
  • aprecia os fatores em escala abrangente;
  • compreende o impacto de suas atividades sobre outras áreas da organização;
  • projeta futuras exigências e tendências;
  • possui visão estratégica, podendo implementar e controlar para atingir os objetivos;
  • traça estratégia para atingir resultados a longo prazo;
  • percebe oportunidades e adapta seu planejamento para aproveitá-las;
  • programa e concentra-se nas prioridades para cumprir prazos e objetivos.

Indicadores negativos

  • Focaliza apenas uma área (por exemplo, sua própria função/papel);
  • pensa e age no curto prazo;
  • enfoque desorganizado, desperdiçando recursos (tempo, pessoas, dinheiro) ou falta de controle;
  • desvia-se facilmente dos objetivos traçados;
  • não elabora cronogramas claros para a execução de planos.

DETERMINAÇÃO

Definição

  • Voltado, continuamente, para melhorar resultados;
  • reavalia e atualiza o próprio nível de conhecimento profissional;
  • perseverante e determinado, apesar de contratempos.

Indicadores positivos

  • Trabalha para melhorar o próprio desempenho;
  • é independente ao traçar suas metas, padrões e direções próprias;
  • tem senso de urgência;
  • não é rígido, sendo perseverante diante de obstáculos;
  • mantém o otimismo, procura tentar novamente quando as coisas não dão certo;
  • procura constantemente aumentar seu próprio conhecimento profissional;
  • possui um alto grau de dinamismo e motivação pessoal.

Indicadores negativos

  • Precisa que as metas sejam traçadas para ele;
  • fica contente em alcançar apenas o esperado, sem buscar novos desafios;
  • tende a desistir quando enfrenta obstáculos ou barreiras;
  • perde a motivação e o rendimento quando as coisas não dão certo

Leia outros textos sobre o assunto

  • A Administração Social. Wagner Siqueira

  • Emprego no Terceiro Setor: Uma visão do Brasil e do mundo. Armindo dos Santos de Sousa Teodósio

  • Terceiro Setor: Um Espaço para a Qualificação Profissional? Armindo dos Santos de Sousa Teodósio

  • Estratégias de gestão de recursos humanos no terceiro setor: o desafio do trabalho voluntário. Armindo dos Santos de Sousa Teodósio e Graziele Andrade Resende

  • Conceitos Básicos. Liliane G. da Costa Reis

  • Mercado de Trabalho e Gestão no Terceiro Setor. Tema do mês de outubro de 2001

  • Como melhorar o trabalho em equipe. Tema do mês de março de 2000

  • Como avaliar o desempenho das pessoas em organizações do terceiro setor. Tema do mês de agosto de 1999


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